Exibição lotada de documentário sobre Elie Wiesel marca o Dia do Holocausto e reforça a importância da preservação da memória

Janeiro

2026

Em uma noite dedicada à memória e à reflexão, o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto (27 de janeiro) foi celebrado com a exibição inédita no Brasil do documentário Soul on Fire, que retrata a trajetória de Elie Wiesel. A sessão lotada no Cine Belas Artes reuniu diferentes gerações em torno do legado do sobrevivente, escritor e Prêmio Nobel da Paz .

Promovida pelo Ministério da Cultura, Confederação Israelita do Brasil (Conib), Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), Congregação Israelita Paulista (CIP), StandWithUs Brasil e pela Revista Kadimah, a exibição foi seguida de um debate com o professor da USP Gabriel Steinberg Schvartzman e com o advogado Fernando Lottenberg, ex-presidente da Conib e Comissário da Organização dos Estados Americanos para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo.

Narrado em grande parte pela própria voz de Elie Wiesel, Soul on Fire conduz o público por sua experiência como jovem deportado para os campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald e por sua reconstrução de vida após a perda da família, destacando seu papel como uma das principais vozes da literatura e da defesa da memória do Holocausto no século XX.

Durante o debate, Fernando Lottenberg destacou a centralidade de Elie Wiesel como porta-voz dos sobreviventes. “Elie Wiesel representa as vozes que ficaram silenciadas por muitos anos após o Holocausto. Ele demorou 15 anos para contar sua história, assim como tantos outros sobreviventes. Sua obra conseguiu transformar um testemunho profundamente pessoal em uma mensagem universal, com enorme sofisticação literária e impacto moral”, afirmou. Segundo ele, o legado de Wiesel para as novas gerações está na responsabilidade de lembrar. “A memória é uma forma de impedir a repetição e de mostrar que, mesmo após a barbárie, é possível reconstruir uma vida e lutar pela dignidade humana.”

Gabriel Steinberg Schvartzman reforçou que a memória é o eixo central tanto do filme quanto da trajetória de Wiesel. “Há uma frase dele que diz que não lembrar dos mortos seria como matá-los novamente. Para Elie Wiesel, manter viva a memória era um imperativo moral, algo ao qual ele dedicou toda a vida”, disse. O professor também alertou para os riscos do que chamou de “revisionismo ou banalização histórica”. “Comparações indevidas e narrativas imprecisas sobre o Holocausto não apenas distorcem os fatos, como esvaziam o significado da tragédia. O trabalho e a escrita de Wiesel são fundamentais para que esse passado não seja esquecido nem relativizado”, completou.

“Soul on Fire é um documentário excepcional e absolutamente necessário para a educação sobre o Holocausto. Uma das cenas, que mostra uma dinâmica com alunos de uma escola americana, me tocou profundamente e evidencia a força da memória quando transmitida às novas gerações”, concluiu a presidente da CIP, Laura Feldman.

A exibição lotada e o bate papo ao final da sessão reforçaram a atualidade da mensagem de Elie Wiesel e a importância de iniciativas culturais que preservem a memória do Holocausto como ferramenta essencial no combate ao ódio, à intolerância e ao antissemitismo.

A exibição de Soul on Fire foi uma realização da Confederação Israelita do Brasil (Conib), da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), da Congregação Israelita Paulista (CIP) StandWithUs Brasil e Kadimah com o patrocínio de, Itaú, Bemol, Rosset, Tricostyl, Smartstorage e Aurora com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e do Cine Belas Artes.