Preparando-se para a Liberdade | Parashat Tzav | Rav Natan Freller

Esta semana, lemos Parashat Tzav, uma porção que, à primeira vista, parece profundamente enraizada no mundo antigo do Mishkan: sacrifícios, rituais sacerdotais e detalhes minuciosos de cada oferenda. Mas, se ouvirmos atentamente, além do fogo e das cinzas, Parashat Tzav traz algo mais profundo, enquanto estamos a poucos dias de Pêssach, a Festa da Liberdade.

Um dos temas centrais desta parashá é ordem e responsabilidade. A própria palavra “Tzav” significa comando (compartilha a mesma raiz da palavra Mitzvá, mandamento!). Deus ordena a Moshé que ordene a Aharon e seus filhos os procedimentos rituais dos sacrifícios.

Por que isso é importante agora? Porque Pessach nos convida a celebrar a libertação, a saída do lugar estreito do Egito para a possibilidade da expansão da liberdade. E a Torá, particularmente a Parashat Tzav, nos lembra que liberdade vem junto com responsabilidade.

Os sacerdotes não podiam deixar o fogo se apagar no altar; ele tinha que queimar constantemente. Era um símbolo de dedicação perpétua. Em nossos dias, não trazemos oferendas e sacrifícios animais, mas ainda mantemos as chamas acesas: a chama da tradição, a chama da justiça social, a chama da comunidade.

Ao nos prepararmos para nossos Sedarim desta semana, estamos reencenando uma jornada que ainda está em andamento. É mais do que contar a mesma história todo ano. É viver novamente, como se nós mesmos tivéssemos saído do Egito. E assim, Pêssach nos convida a nos perguntar: o que significa liberdade agora?

Em um mundo abalado por conflitos e incertezas, pelo crescente antissemitismo, pelas guerras, e por crises humanitárias em todo o mundo, somos chamados a responder com clareza moral e compaixão. A liberdade não pode ser apenas para nós; deve ser uma esperança compartilhada, um esforço coletivo.

Neste Shabat, convido a cada um e cada uma de nós a buscar aquela chama acessa da tradição, a chama dos valores e das práticas judaicas que nos guiam pelo mundo de geração em geração e renová-la através do ritual do Sêder, contando novamente a nossa história, da opressão para a liberdade.

Que possamos levar a lição de Tzav para a mesa de Sêder: que a verdadeira liberdade é forjada não apenas pela libertação, mas pelo amor, pelo trabalho e pelo trabalho contínuo de serviço sagrado em nossas vidas e comunidades.

Que este Pêssach nos ilumine e nos aproxime da redenção e da paz.

Shabat Shalom e Chag Pêssach Kasher veSamêach!