Uma das minhas palavras favoritas em hebraico e na tradição judaica é Cadosh, regularmente traduzida como “sagrado”. Mas o que significa, de fato, ser sagrado?
A raiz da palavra nos revela que cadosh significa separado, distinto, diferente. Não necessariamente melhor. Apenas reservado para um propósito diferente.
Na Parashat Emór, a Torá nos convida repetidamente a guardar e a fazer as mitsvót, “ushmartem” e “vaasitem”. Rashi nos ensina que guardar é o estudo, e fazer é a ação. Dois movimentos inseparáveis. Porque a santidade exige intenção e preparo.
O Rav Soloveitchik costumava dizer: ein kedushá bli hachaná — não há santidade sem preparação.
Pensemos nos momentos mais sagrados das nossas vidas. O nascimento de um filho. Um casamento. Uma reconciliação longa e esperada. Um Shabat em que, finalmente, você conseguiu desligar o ruído do mundo. Nenhum desses momentos surgiu do nada. Houve algo antes, uma espera, uma abertura, um preparo com o coração.
A Havdalá distingue entre o Shabat, “cadósh” e o ordinário, “chól”. Se os dias da semana são chamados de dias ordinários, convido a pensar que “cadósh” possa ser entendido não só como sagrado, mas como extra-ordinário.
Desejo a todos que neste Shabat possamos nos preparar adequadamente para um tempo extraordinário, vivido com intenção e presença.
Shabat Shalom!
Rav Natan Freller
