CIP reúne cultura, espiritualidade e diálogo em mais uma edição do Ticun de Shavuot

Maio

2026

Congregação Israelita Paulista (CIP) reuniu centenas de pessoas no último sábado, 23 de maio, para mais uma edição do “Ticun de Shavuot – Virada Cultural Judaica”, uma noite marcada por espiritualidade, estudo, música, dança e encontros em celebração a Shavuot.

Com o tema “Da fé à presença – Caminhos de encontros e transformação”, a programação propôs reflexões sobre convivência, identidade, educação e espiritualidade por meio de diferentes linguagens artísticas e culturais, reafirmando a tradição do Ticun de transformar o estudo noturno de Shavuot em uma experiência de conexão humana e construção coletiva de sentido.

Um dos momentos centrais da noite foi a participação do professor Daniel Fainstein, reitor e professor de Estudos Judaicos da Universidad Hebraica do México, convidado internacional do evento. Fainstein participou da gravação ao vivo do podcast JCast: Preciso Saber no painel “Martin Buber: O profeta do Encontro, numa Era de Desencontros”, mediado pela rabina Kelita Cohen.

Ao abordar o pensamento de Martin Buber, o professor destacou que a vida ganha sentido a partir do encontro genuíno com o outro. Com base na obra Eu e Tu, explicou as duas formas fundamentais de relação propostas pelo filósofo: a “Eu-Tu”, marcada pela presença, reciprocidade e reconhecimento da humanidade do outro, e a “Eu-Isso”, mais utilitária e necessária para o cotidiano, mas que, quando predominante, pode levar à desumanização. Segundo Fainstein, essa reflexão possui impactos concretos na educação, nas relações sociais e na construção da convivência e da paz.

Outro painel que mobilizou o público foi “Quando a minha presença vai contra a sua fé”, com Alessandra Liberman e Marina Gelman, cofundadoras do projeto ECOA — Executivos Contra o Antissemitismo.

O debate abordou o crescimento da intolerância religiosa e os desafios do ambiente corporativo, destacando a importância de promover espaços onde as pessoas possam expressar suas identidades de forma autêntica e segura. A apresentação trouxe ainda reflexões sobre vieses inconscientes, narrativas que alimentam estereótipos e os mecanismos que podem levar à desumanização e à violência.

A programação contou ainda com o tradicional Ticunzinho, dedicado às crianças. A atriz e arte-educadora Carla Passos apresentou contações de histórias inspiradas no livro O Tesouro do Campo e, na sequência, os pequenos participaram da 5ª edição do MasterCheff, decorando cupcakes em uma atividade lúdica e interativa. Enquanto isso, os pais participaram da roda de conversa “A presença que constrói – escuta, vínculos e tempos da infância”, conduzida pelas professoras Luciana Klar, Roselea Becher e Sylvania Kabiljo, do podcast Café com as Profas, em um encontro dedicado a reflexões sobre educação, infância e construção de vínculos.

Também houve apresentação do Coral Osher, performances dos grupos de dança Atid, Eretz e Nefesh, além do já tradicional Shirá beTsibur, encontro coletivo de canções judaicas que trouxe um clima de celebração e pertencimento.

Para a presidente da CIP, Laura Feldman, o Ticun consolidou-se ao longo dos anos como um importante espaço de encontro e fortalecimento comunitário. “Realizado há quase duas décadas, o Ticun da CIP tornou-se um dos principais encontros culturais e espirituais da comunidade judaica brasileira, promovendo diálogo, memória, aprendizado e fortalecimento dos vínculos comunitários por meio da cultura e da tradição judaica contemporânea”, destacou.

O rabino Natan Freller ressaltou a continuidade de uma tradição que se renova a cada geração. “Celebrar Shavuot virando a noite com estudos, cultura, música e dança já é uma tradição da CIP há décadas. Acreditamos que a Torá foi entregue no Monte Sinai, mas continua sendo revelada geração após geração. Precisamos fazer o nosso trabalho de ir ao encontro, de estar ao pé da montanha. É isso que fazemos no Ticun de Shavuot da CIP: revelar os aspectos escondidos do divino através de todas essas atividades maravilhosas”, afirmou.

Virada Cultural Judaica também contou com praça de alimentação, oferecendo opções como falafel, pizzas doces e salgadas e bolos gelados.

O evento foi realizado pela Congregação Israelita Paulista e pelo Ministério da Cultura, com patrocínio de Itaú Unibanco, Bemol, Rosset, Banco Safra, Tricostyl,  Smart Storage e Aurora.