Na noite de 15 de abril, a sede da CIP se transformou em um espaço de encontro entre arte, tradição e reflexão ao receber o Café Literário Teatral de Dibuk, o Musical. Reunindo elenco e público, o evento foi marcado por trocas intensas e reflexões sobre arte, tradição e contemporaneidade. Promovido pela própria CIP em parceria com o Ministério da Cultura, a iniciativa apresentou os bastidores da nova montagem e proporcionou um mergulho nos temas centrais da obra.
Com mediação do rabino Natan Freller, o bate-papo contou com a participação de Alberto (Gingi) Worcman, Paula Targownik, Marcelo Klabin, Gustavo Kurlat e a atriz Veve Goeldi, além da participação especial dos atores Heitor Goldflus e Lilian Blank e da coordenadora circense Natalia Pressler. Ao longo da conversa, foram abordados temas como o exorcismo na tradição judaica, elemento central da narrativa, a origem da obra de Sch. An-Ski e as transformações propostas nesta nova adaptação. Também ganharam destaque discussões sobre o papel da mulher na trama e os desafios de reinterpretar um clássico à luz dos dias atuais.
Alberto Worcman (Gingi) chamou atenção para a dimensão interpretativa e simbólica da obra, destacando os múltiplos sentidos presentes no texto: “Esse paradoxo está presente o tempo inteiro. O que está escrito pode ser entendido de diferentes maneiras e é justamente aí que a peça ganha vida. Cada interpretação depende do contexto, dos protagonistas, mas sempre existem limites”. Sua fala reforçou o caráter aberto e provocador de Dibuk, que convida o público a refletir sobre amor, destino e espiritualidade.
Já a protagonista Veve Goeldi compartilhou sua experiência pessoal ao mergulhar em uma cultura que não é a sua de origem. “Eu entro com muito respeito nesse projeto, com muita curiosidade. Foi um presente poder me aproximar de uma cultura tão rica, como a judaica, com uma musicalidade tão específica. Como atriz, é um exercício profundo de empatia, me colocar no lugar do outro e aprender com isso”, afirmou. Ela também destacou o acolhimento recebido e o desafio de interpretar uma personagem complexa, que transita entre diferentes dimensões emocionais e espirituais. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Veve — acompanhada ao piano por Vicente Falek — emocionou o público ao apresentar um trecho do espetáculo, oferecendo um breve e potente “spoiler” do que será visto no musical.
O evento também trouxe reflexões sobre o amor, tema central da obra, explorado em suas múltiplas formas e contradições, além da relação entre tradição e inovação na construção do espetáculo.
Encerrando a noite, o rabino Natan Freller trouxe uma mensagem que conectou arte e espiritualidade, ao refletir sobre a ideia de paz presente na tradição judaica. “A paz celestial e a paz deste mundo estão conectadas. Precisamos trabalhar juntos, com as mãos lá de cima e as mãos aqui de baixo, para construir pontes, divulgar a riqueza da cultura judaica como uma cultura de diálogo e de paz”, afirmou. Em um momento de sensibilidade, reforçou ainda a importância do combate à intolerância: um esforço coletivo, contínuo e essencial para evitar que erros do passado se repitam.
Durante o Café Literário, foram sorteados dois pares de ingressos para a apresentação de Dibuk, o Musical entre os participantes presentes. A pré-estreia acontecerá no dia 23 de abril, às 20h, no Teatro Sérgio Cardoso, com venda beneficente de ingressos para o Setor VIP em prol dos projetos sociais da CIP (vendas pelo WhatsApp (11) 9.1324-0641, com Ieda).
O Café Literário foi apresentado pelo Ministério da Cultura e Congregação Israelita Paulista (CIP), com patrocínio de Itaú, Bemol, Rosset, Banco Safra, Tricostyl, Smartstorage e Aurora, com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.













