O elo entre o coração e o comportamento humano | Parashat Vaerá | Rav Natan Freller

A jornada da libertação começou. Moshe percebe a revelação divina e restabelece uma aliança com nossos antepassados. Uma aliança baseada em conexões familiares e identitárias e será fortalecida ao longo do deserto com valores e práticas que guiam o coração e as ações do povo a partir daquele momento.

Nesse processo, encontramos o Faraó, líder máximo do Egito. O Faraó vê os hebreus como estrangeiros, uma ameaça. Quando Moshé e Aharon, seu irmão, exigem a libertação do povo, o Faraó resiste em seu trono, seu coração fica pesado e o ciclo de violência se perpetua.

Na parashá Vaerá, encontramos as primeiras pragas, e, após cada uma delas, o Faraó endurece seu coração. Após esse padrão se repetir algumas vezes, nas pragas finais é Deus que endurece o coração do Faraó.

Sábios discutem há centenas de anos a capacidade de livre arbítrio do Faraó nesse momento. Será que libertou o povo pelo medo das pragas? Será que o Faraó aceita que foi derrotado pelo Deus dos hebreus? Até que ponto Deus controla a vontade do Faraó?

Líderes autoritários, independente de seu poder, ainda são seres humanos. Isso significa que tem livre arbítrio, tem capacidade de mudar suas atitudes e são responsáveis por seus comportamentos.

Ao endurecer o próprio coração, o Faraó está fortalecendo em si mesmo hábitos e comportamentos nefastos, violentos. Um vício em seu próprio poder. Quanto a narrativa bíblica torna Deus o sujeito que endurece o coração do Faraó, está nos ensinando que atitudes se tornam hábitos, hábitos se tornam comportamentos, e em algum momento, esse comportamento se retroalimenta em um ciclo vicioso do qual é incapaz de sair.

A Torá não nos conta essa história para nos explicar o Faraó. A Torá nos conta essa história para que não nos tornemos ele.

Shabat Shalom!