Nesta semana lemos novamente a parashá Bereshit, que marca o início de um novo ciclo de leitura da Torá. A cada ano voltamos às mesmas palavras, às mesmas histórias e aos mesmos personagens. E, ainda assim, encontramos algo novo.

Talvez essa seja uma das grandes belezas do estudo da Torá. O texto permanece, enquanto nós mudamos. O que lemos hoje pode nos tocar de uma maneira diferente porque também chegamos a ele com novas experiências, perguntas e aprendizados.

Bereshit nos leva ao começo de tudo. Encontramos a criação do mundo, Adam e Chavá, Caim e Abel, e tantas histórias que falam de escolhas, relações, responsabilidades e das dificuldades de ser humano. São histórias muito antigas, mas continuam próximas de nossas vidas porque tratam de questões que todos nós conhecemos: como fazemos nossas escolhas, como lidamos com nossos erros, como cuidamos uns dos outros e que mundo queremos ajudar a construir.

Voltar à Torá também é uma forma de voltar para nós mesmos. Ao longo do ano, vamos acumulando experiências, alegrias, preocupações, perdas e descobertas. Quando reencontramos um texto conhecido, podemos perceber nele perguntas que ainda carregamos e respostas que talvez não tivéssemos conseguido enxergar antes.

E há algo especialmente bonito quando esse estudo acontece em comunidade. Cada pessoa chega com sua própria história e sua maneira de olhar para o texto. Uma pergunta pode abrir uma nova possibilidade de compreensão. Uma interpretação pode nos fazer enxergar uma passagem conhecida de outro jeito. Ao estudarmos juntos, aprendemos também uns com os outros.

Bereshit nos convida, a começar novamente. A olhar para nossas escolhas, para nossas relações e para aquilo que queremos cultivar em nossa vida.

Que este novo ciclo de leitura da Torá nos encontre com curiosidade, abertura e disposição para continuar aprendendo. Que possamos descobrir novas perguntas, encontrar novos sentidos e transformar esse estudo em caminhos concretos para uma vida mais significativa, generosa e consciente.

Que seja um ano de muitos aprendizados e muitos recomeços.

Shabat Shalom,

Rav Natan Freller